Wednesday, November 19, 2008

Painel Geração 65 : Saudade de Sérgio Albuquerque


O poeta, ensaísta e professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco Ângelo Monteiro deu início à sessão de saudade de seu amigo da Geração 65 recentemente desaparecido ,pintor e escritor Sérgio Moacir de Albuquerque

“Os homens são jovens quando sonham”, digo no poema Lição Breve do meu penúltimo livro, Os Olhos da Vigília. Este verso se aplicava muito bem a Sergio Moacir de Albuquerque. Como sonhava, mais do que vivia, fazia com que todos em torno dele se tornassem mais jovens.

Ele via no sonho uma espécie de imortalidade e por isso não tinha outros planos nem projetos senão a irradiação de sua alegria de viver sobre todos ao seu redor. Em torno de Sergio tudo se fazia viagem. E a vida era sempre um reino de felizes possibilidades.

Como permaneceu belo, transmitia permanentemente uma lição de beleza descompromissada com as rotinas da existência. Um verso da primeira parte dos seus Cantos da definitiva primavera definiu fielmente sua opção existencial: “porque o descompromisso é meu lema”. Como o descompromisso estava na base da sua efusividade permanente, se mostrava mais preocupado com o sopro da existência do que com sua brevidade.

E é porque tinha consciência dessa brevidade que fez dessa efusão de vida uma fogueira acesa sobre os dias. E a chama dessa fogueira ainda espalha suas fagulhas em torno de nós, mesmo depois de sua passagem.


Lucilo Varejão Neto , amigo de Sérgio desde os tempos do Ginásio Pernambucano, ensaísta,tradutor e Professor de Língua e Literatura Francesa da Universidade Federal de Pernambuco, deu um belo e emocionante depoimento sobre o pintor e escritor homenageado pela Fliporto 2008

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